3.1.12

O primeiro de 2012




Há já dois anos que assumiste todo o protagonismo do primeiro post do ano, e embora as nossas vidas se encontrem tão diferentes, este ano vou dar-te mais uma vez as primeiras palavras, desta vez, de dois mil e doze. Não foi por esquecimento que não aqui vim ontem, no teu dia falar-te sobre nós, mas, como parece ser uma das maiores causas do nosso afastamento, faltou-me o tempo. Eu tenho saudades tuas, e tu sabes que sim, não precisas que eu to diga, que eu te fale, e muito menos que te escreva, és das poucas pessoas que saberá sempre como realmente sou, e não como esta carapaça que me envolve mostra o que quero transparecer. Não só porque não foi com os outros que me partilhei, mas sim porque foste tu que aguentaste lá estar em todos os momentos em que eu precisei, houve quem se fartasse, quem desistisse, quem achasse que eu não queria ver a verdade, mas tu limitaste-te a continuar a fazer-me rir, a deixar-me falar e falar, e a repetir as mesmas palavras mais de mil vezes e nenhuma delas com exaustão, limitaste-te a ser uma irmã. Há coisas que só tu sabes e que mais ninguém as viveu comigo, é engraçado como duas pessoas que se magoam da forma que nós nos conseguimos magoar, conseguem também confiar de tal forma uma na outra que sobrepõe essa amizade a tantas coisas, e nunca acreditaram. Nunca acharam que a nossa relação fosse real, tinham uma ideia de que nos usávamos mutuamente, nunca me importei, não nos conheciam da mesma forma que nós. Que outra pessoa se não tu, se agarrava a mim durante a noite, enquanto dormíamos, ou ficava simplesmente até às cinco e seis da manhã a trocar palavras que nada tinham de interessante a não ser parvoíces? De todas as minhas amigas, talvez só tu tenhas interagido de tal forma com a minha família que chegámos a parecer pertencer à mesma. Éramos quase iguais, incomodavam-nos as mesmas coisas, as mesmas pessoas, as mesmas frases, os mesmos erros, e corríamos sempre uma para a outra. Mas perdeu-se, perdeu-se tudo. Perderam-se as mensagens praticamente diárias, e não foi por crescermos, perderam-se as chamadas, e se queres que te diga, às vezes quero tanto lembrar-me da tua voz, mas não consigo, lembro-me sempre que era uma voz de menina, e tinhas sempre um riso que me fazia rir, mas não me consigo lembrar de como eram as nossas conversas, passámos horas e horas ao telefone, a falar sobre tudo, ou sobre nada, e por fim, perdeu-se o contacto, nunca mais te vi. Se queres que te diga, e se a memória não me falha, não te vejo há mais de um ano, desde o dia 22 de Outubro de 2010, e acredita que até para nós, já lá vai algum tempo. Há dias em que me pergunto, o que é que aconteceu? Passava as minhas sextas-feiras praticamente todas ao teu lado, por vezes, ainda o fim-de-semana, e as férias eram sempre minhas e tuas.
Não posso culpar apenas a minha entrada na faculdade, mas também sei que foi aí que começou, que se perdeu o tempo, que começaram as diferenças, mas não fui só eu, e tenho sempre isso em conta.
Talvez um dia possamos tentar construir tudo de novo mais uma vez, gostava que sim.
irmã,  Parabéns, ontem foram vinte e um.

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