O problema, o problema é que as pessoas te vêem como uma barreira. Como uma parede que não há nada que possam fazer para cair. Quase como porto seguro, do género "quando der merda pelo menos ali estamos a salvo". É esse o problema. Acharem que és intocável. Que não precisas de nada. Que está sempre tudo bem. Só porque quando algo te chateia, mandas tudo ao ar e passado cinco minutos estás de sorriso no rosto, porque tudo o resto é perda de tempo.
O problema, bom.. O problema é as pessoas abusarem de ti. Abusarem do que tens para lhes dar. Porque ser boa pessoa é lixado. Habituam-se a ter-te a ali, a saberem que tu não sabes deixar os outros mal, que não sabes não olhar para trás. Que passaste tanto tempo sem saber o que fazer que não sabes deixar ninguém na mesma situação. Em tempos, costumavam dizer-te "Tu não podes salvar o mundo." E não podes.
O problema, um dos maiores, é seres demasiado tu. Estares demasiado focada em seres quem realmente és, em seres o mais sincera possível. E sabes porquê? Porque a maior parte do mundo está demasiado ocupada a tentar ser qualquer outra coisa. Uma que agrade. Qualquer uma que quisessem ser mas não são. Mas tu não, não sabes ser assim não é? Aprendeste demasiado cedo que não há nada melhor que saberes ser tu. Mas tenho que te dizer, vai trazer-te muitas alegrias... mas tantos mais dissabores princesa. E se te posso dar um conselho, continua assim. Nada dói mais do que acordar no lado errado da cama e sem saber como foste lá parar.
E sabes, o mal é esse. É que não é fácil conhecer-te. Não é fácil deixares ver que dás o mundo a quem gostas. Que não gostas. Nunca te sabes deixar gostar. Mas quando o fazes é porque é especial. E, com muita pena minha, tenho que te dizer: não há muita gente preparada para isso, não agora. Não é fácil reconhecer que tu também és alguém, menos pedra, não tanto gelo e mais coração.
coisas do coração
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6.6.17
7.7.16
um dia, fazem-se as malas.
Um dia a malta cansa-se. E eu que até sou bastante persistente. E eu que luto tanto pelo que quero. E eu que não desisto à primeira, nem à segunda e por muita burrice, nem mesmo à terceira. E eu que da terça-feira faço sábado, e da madrugada dia. Até eu, sabes, até eu me canso. Um dia a malta cansa-se de enviar mensagens que nunca têm resposta. De inventar todas as possibilidades e mais alguma para que resulte. Um dia, a malta cansa-se de ver o pôr-do-sol sozinho. De esperar por uma companhia que não quer vir, que há muito que faz planos que não te incluem. Um dia a malta cansa-se de pensar no que te faria feliz naquele momento, porque podia fazer das tripas coração que tu nem davas por isso. Um dia, a malta faz as malas e vai-se embora - tive a sorte de sempre me ensinarem que não se fica onde não se é bem vindo. Um dia, a malta cansa-se, de querer sozinho, de gostar sozinho, de sentir falta sozinho. Não fiques onde não és preciso. Não demores onde não te querem. Um dia, a malta diz adeus.
4.7.16
nem oito, nem oitenta, mas por favor, não quarenta.
Como é que dizes a alguém que não te quer que não sabes como não querer? Como é que lhe dizes que vais esperar e não sabes como não contar todos os segundos que faltam, mesmo quando não sabes ao certo quanto tempo falta? Como é que te preparas para apagar tudo aquilo que fizeste questão de ir deixando entrar? Como lhe explicas que demoraste mas que finalmente lá chegaste? mas já não está lá ninguém à tua espera, sabes que mais? o comboio já partiu, e anda em sentido contrário ao teu, tu queres mais, mas já não há lá nada para ti. E eu sei que dói, mas não queiras meios amores, não queiras metade da atenção, se queres muito, pelo menos quer por inteiro, quer que te queiram com tudo, ou no mínimo, tanto quanto tu. O barco tem dois remos, mas têm que se mover ao mesmo tempo ou então não sais do lugar, por isso, pega nos dois remos e começa a remar, mas para o teu lado. Amores sozinhos não valem a pena, têm prazo de validade, e mais curto do que tu pensas. Não te vou mentir, dói mudar de direcção, mas dói tão mais acordar no lado errado da cama.
Tenho que te dizer que ele não gosta de ti, ou então não sabe gostar. Devias ter-lhe ensinado que as coisas não se dizem da boca para fora, do outro lado está uma pessoa que tem sonhos, que tem planos, que tem um coração à espera de ser amado da forma certa. Mais uma vez, tenho que te dizer que não vale a pena, por isso princesa, tu sabes como se faz, já não é a primeira vez, levanta a cabeça, sorriso no rosto, e amanhã a festa é outra.
Tenho que te dizer que ele não gosta de ti, ou então não sabe gostar. Devias ter-lhe ensinado que as coisas não se dizem da boca para fora, do outro lado está uma pessoa que tem sonhos, que tem planos, que tem um coração à espera de ser amado da forma certa. Mais uma vez, tenho que te dizer que não vale a pena, por isso princesa, tu sabes como se faz, já não é a primeira vez, levanta a cabeça, sorriso no rosto, e amanhã a festa é outra.
22.12.15
o lado errado
Vou dizer-te uma coisa, nós sabemos. Sabemos quando não fazemos falta. Quando não somos as únicas, e até sabemos quando acordas com a sensação de acordar no lado certo da cama mas com a pessoa errada no lado oposto. Sabemos quando não é amor, nem tem paixão e é simplesmente vazio. Sim, é verdade, até isso nós sabemos. Sabemos que quando nos despes só vês carne, não reparas nas feridas, nas vitórias, em toda a luta que nos deu sermos tudo o que somos. Sabemos que somos todas diferentes mas que, para ti nada nos distingue porque não sabes nada sobre nós. Sabemos que é temporário, todas temos um prazo de validade, porque a verdade é que tu adoras conhecer pessoas, mas nunca ficam tempo suficiente para que possas saber algo sobre elas. Sabemos que não olhas para nós quando acordas a meio da noite para nos ver a dormir, e que não nos vais dar um beijo de boa noite, e ainda assim, escolhemos dormir ao teu lado, mas sem ti. Ninguém dorme contigo. Ninguém tem permissão para entrar no teu mundo, não podemos fazer-lhe memórias, ou momentos felizes, não te deixas sentir. Nós sabemos de tudo, sabemos que somos erradas, só há vezes em que não o queremos aceitar.
17.11.15
(4)
"Eu tenho um grande defeito, ou não. Raramente gosto, mas quando gosto é a sério...e eu gosto mesmo de ti"
Sabes porque lhe chamo defeito? simples, é por gajos como tu, porque sabe-se lá porquê alguém decidiu inventar criaturazinhas como tu, adoráveis e os maiores filhos da mãe de sempre. Devia ter um alarme interno capaz de fazer um bip bip tão irritante que, quando me aproximasse de gajos como tu, me fizesse recuar quase que instantaneamente, tipo perigo de morte. Mas não, eu preciso mesmo de ir contra a porta, mas uma vez não, no mínimo umas três ou não aprendo. E às vezes não chega bater, é que aquilo que não és já está tão entranhado em mim, que é preciso mesmo esfregarem-mo na cara, a ver se passa cá para dentro. E mesmo assim seu merdas, com um sorriso ou outro ainda me arrancas umas coisas. A minha sorte é, lá no fundo, ser tão boa pessoa, porque merecias que te magoasse tanto quanto o fizeste comigo. Mas não, a indiferença vai saber-me muito melhor, juntamente com ela sai um esquecimento para a mesa do canto, e obrigado por teres existido na minha vida, sempre dás para as estatísticas. E para lembrete, tipo "o que não voltar a fazer por muito que o gajo seja giro". Fim da história, podia ser pior.
19.10.15
(3)
As pessoas mudam.
E eu sou a maior prova disso.
Com o tempo, há coisas que deixam de importar, e outras às quais se aprende a dar o devido valor.
E é aqui que eu entro.
Sempre fui de fazer planos, todos e mais alguns que fossem possíveis, não se desse o caso de por algum motivo, todos falharem menos um. Fui sempre o típico "estuda, tem boas notas, tira um curso com emprego, e muda a tua vida", até que o tempo passa, conhecem-se diferentes pessoas, com diferentes pontos de vista, e começas a pensar, que, um dia, quando relembrares a tua vida, as coisas mais importantes passam por tudo, menos pelos números da tua conta bancária.
É aqui que entram as pessoas da minha vida.
Os anos passam, umas vão-se embora como sempre esperámos que aconteceria, e outras ficam, outras mostram-te que o lugar delas sempre foi ao teu lado, mesmo quando andaste demasiado ocupado para ver isso, começamos por perceber que aquilo que tanto achávamos ter de sobra, é na verdade, demasiado curto para acreditar.
É aqui que entra o tempo. E é aqui que eu volto a entrar, com as pessoas que, felizmente, fazem parte da minha vida.
É o tempo que as pessoas estão dispostas a investir em mim que me faz feliz, porque no final do dia, é realmente aquilo que temos de maior valor, ele acaba, um dia, mais cedo ou mais tarde, ele acaba. Não gosto de desperdiçar tempo, não o tenho para o fazer e, é por isso que aprendi a não deixar as pessoas erradas permanecerem muito tempo no meu espaço. É por isso que aprendi a valorizar-me, a não me submeter a alguém que não está disposto a apostar tanto e acha tão pouco.
É aí que eu saio por cima. Agarro-me às memórias que vou construindo dia após dia, na verdade, é por isso que eu sempre gostei tanto de fotografia, o que pode haver de melhor do que uma gargalhada intemporal?
A todas as pessoas que permanecem na minha vida, obrigado pelo vosso tempo, é, certamente, aquilo que de melhor sempre terão para me dar.
As pessoas mudam. Crescem. Fazem memórias, Riem perdidamente delas. Fazem-me feliz. Final da história.
18.10.15
(2)
Há tanta coisa sobre mim que tu não sabes. Que ninguém sabe. Que eu nunca disse. Sabes, parece que se nunca falarmos sobre isso, nunca se torna real. E eu ainda sou mestre em ignorar o que vem de frente. No fundo, tu destruíste-me. Por muitas noites que eu tenha passado em claro com o peso na consciência de que te magoei, a verdade é que eu também perdi. A ideia foi que, finalmente, tinha sido eu a ficar por cima e, achei tantas vezes que tinha sido eu a tirar-te o mundo, mas toda a minha capacidade de me apaixonar, toda essa vontade de dar o mundo a alguém, morreu connosco. Consegues perceber o quanto isso é injusto, certo? Eu quero sabes, queria tanto voltar a ser quem era, saber o que é dar o mundo a alguém e ser feliz com isso. Mas dou por mim a fugir de quem me quer dar tudo, dou por mim a virar costas a quem tenta, a quem quer tanto conhecer-me. É incrível, ainda há pessoas que baixam todas as suas barreiras a alguém. Sabes, é que já me quiseram fazer feliz. E essa é a parte mais triste, eu fui embora.
29.11.14
(1)
É incrivel como todo este espaço soa a ti, a nós - melhor, a ti e a mim, só que juntos. Sabes, é verdade, eu nunca imaginei que pudesse existir um depois de ti, nunca pensei sequer nessa possibilidade porque me assustava não saber quem era sem ti, eu já não sabia como era sem ti. É incrivel o quanto as pessoas têm a capacidade de se sentir assustadas com o desconhecido, muitas delas permanecem como estão apenas porque é mais fácil que enfrentar o mundo, mas tu sempre soubeste que eu não era assim. Sempre soubeste que tinha os meus sonhos, e que fazias parte deles, incondicionalmente, eras todos eles, mas eles eram meus, e às vezes, sem querer, eles mudam. É estranho falar para ti no passado, nunca o fiz. E até parece foi assim à tanto tempo, mas não. É estranho não te incluir, mas as pessoas adaptam-se, mal ou bem, mas adaptam-se. Ensinámo-nos muito. É o melhor que levamos desse nós, conseguimos aprender tanto juntos. Soubemos viver no limite, umas vezes em baixo, outras vezes tão alto que a queda acabou por ser gigante.
E ainda assim, aqui estou eu, a escrever sobre ti. Isto soa-me tanto a ti, a mim contigo. Sabes uma coisa? eu não menti, o tempo foi sempre intemporal.
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