Mostrar mensagens com a etiqueta passado - R. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta passado - R. Mostrar todas as mensagens

30.3.09

não me pertences.

Não sou dona dos dias, dos meses, nem dos anos e também nunca o quis ser, nem quero. Não podia querer as horas, nem os minutos, nem os segundos, nem todo o tempo do mundo porque também não o tive e vivi bem sem ele.
Podem levar-me os passos que eu dei, as palavras que eu disse e que ninguém ouviu, os gritos que eu implorei, os sonhos, os pedidos, os olhares e as passagens, de mim nada levam, tudo fica. E o que ninguém me pode tirar são os momentos e os instantes passados ao sol, à chuva, a enfrentar tempestades ou sob um céu azul estrelado, e eu que nunca liguei às estrelas, sei que naquele compaço de tempo elas foram minhas, como a lua e o frio e o momento que eu vivi.
E eu nunca me perdi de amores por ti, nunca nos sonhei, nem inventei, nunca pensei que não podia estar sem ti e nunca morri de saudades tuas e no entanto já as senti. E eu não gostei de ti, ou ter-te-ia dito baixinho ao ouvido porque seria um segredo só nosso, mas eu não te amei, nem pensei e nem quis, e oportunidades não me faltaram, podia realmente tê-lo sentido, mas não agarrei o começo e não quis ser eu a começar. Não gostei de ti porque te tinha, porque te vivi. E eu nunca te tive mas não sei não te ter. Nunca te quis e no entando não sei não te querer. Habituei-me a acordar com o teu sorriso e nunca dormimos juntos, a adormecer com a tua voz e tu nunca me embalaste, a abraçar-te as palavras que na verdade não dissemos. Habituei-me ao que não quis, não tive, não sonhei e na verdade faz-me falta. Mas o mais importante: eu não gostei de ti, só gostei da tua maneira de ser, do teu sorriso, das nossas gargalhadas, do teu olhar, das horas passadas ao teu lado, dos dias e das noites, do teu toque, da tua voz, das tuas palavras, do teu cheiro, das tuas caras, das tuas expressões, dos teus abraços, da forma como reagias e do quanto eu te conheci, mas não de ti, gostei de tudo o que é teu.

só se guarda aquilo que é nosso,
podes ir embora, não me pertences..
eu não fico com o que é dos outros, desculpa.

24.3.09

Não há nada de errado.


Eu sei dizer adeus.

Se é isso que te preocupa, se é por isso que não sabes ir embora, já vais tarde. Se é isso que te invade os sonhos e os torna em pesadelos, dorme descansado. Se é por minha causa que ainda olhas para trás, continua, eu não me perco.

Se é por isso que tanto hesitas em seguir, eu aprendi a dizer adeus.

Aprendi a dizer adeus de costas voltadas ao passado, aprendi a dizer adeus de olhos fechados às memórias, aprendi a dizer adeus de lágrimas cerradas à revolta. Aprendi a dizer adeus com um sorriso nos lábios e um nó nas palavras, podes ir embora. De que tens tu medo, se quem perde sou eu?

Se é por tantas histórias que contas, eu já li todos os possíveis finais.

Vais embora, como eu sempre esperei que fosses. Vais para longe, sem saberes de onde vieste. Vais seguir em frente porque toda a tua vida se passa a alta velocidade e tu já paraste tempo demais perto de mim. Vais fugir das palavras porque não sabes como as falar.

Tudo bem, eu já sabia, podes ir-te embora.
Tu vais, o sorriso fica.


- adeus.
não fizeste nada de mal, até porque:
' não há nada completamente errado no mundo,
até um relógio parado consegue estar certo duas vezes por dia. '

26.2.09

comboio de uma vida.

De todos os sitios por onde vagueamos nada mais ficam do que as memórias, esta ou aquela pessoa que nos falou com os olhos e transmitiu tudo sem que fosse preciso dizer um "olá". Pessoas que não conhecemos, que vão na rua e nos contam todos os seus objectivos e planos sem pronunciarem uma única palavra. A viagem diária de comboio onde nos prendem os momentos de uma vida sem nos terem falado sobre uma única linha. A fotografia com os sorrisos que nunca vimos que nos dizem todos os erros que já foram cometidos sem ninguém nos tentar ensinar. Ou o sonho da noite anterior cujas faces não se viam, as vidas não se liam, os desejos não se sabiam, e conhecemo-los melhor que ninguém, e no entanto: quem são? (dizem que é mais fácil conhecer estranhos do que conhecermo-nos e a quem nos rodeia, talvez)
Apanhei o comboio para o mundo, ensinaste-me mesmo sem me teres falado sobre isso que as palavras só devem ser utilizadas quando são realmente necessárias. E tens-me ensinado muito ultimamente, embora tu não saibas disso, e é isso que nos torna especiais, tu não pedes e não hesitas em dar, e eu não procuro receber e só não te dou o que não temos. Nós somos a viagem diária de comboio, só a fazemos porque queremos, e sabemos mais sobre nós do que pensamos, e muita coisa fica sem ser dita. Gostava de te agradecer, e embora não te diga " Obrigado " eu sei que tu me sentes agradecida, as palavras entre nós aprenderam a esperar, sabemos que nem sempre são a verdade, tens-me ensinado a conduzir comboios, a simular sonhos e a ir a sitios onde nunca cheguei, e no entanto nunca aprendeste. Temos uma coisa boa, não sabemos quando acaba a viagem porque não lhe demos um destino.

como escrevia Paulo Coelho:

" Não somos donos do Sol, nem da tarde, nem das ondas, porque não podemos possuir-nos a nós mesmos. (...) parece-me que sempre te conheci, porque não consigo lembrar-me de como era o mundo, antes. (...) As pessoas dão flores de presente porque nas flores está o verdadeiro sentido do Amor. Quem tentar possuir uma flor, verá a sua beleza murchar. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. (...) nunca serás minha e por isso ter-te-ei para sempre. "

Quero com isto dizer-te que eu não preciso de saber até onde vai o comboio, não preciso de saber a que horas termina a viagem e se ela realmente começou, interessa-me apenas que eu continuo apanhar o mesmo comboio à hora marcada, sem saber que horas são. E não quero olhar para o relógio porque não quero ter, se por acaso algum dia tentar chegar a horas, vou ver o comboio partir antes de mim, vou ver os momentos partirem sem serem conhecidos, porque não haverá comboios, nem sorrisos, nem sonhos nem sitios para visitar, nem coisas para ensinar ou aprender e não haverá mais do que eu e tu e algumas histórias para contar, deixa as horas marcadas, o mundo é de quem não olha ao tempo.

e já agora, deixa-me dizer-te que
- não se apanha o comboio certo duas vezes na mesma vida

13.2.09

simulador de sonhos.



Cala-me as palavras, peço-te eu baixinho, conseguiste ouvir? Afasta-me os sentidos, chamo-te à atenção, consegues sentir? Troca-me os olhares, imploro-te, conseguirás ver? Diz-me que sim é não, que pronunciámos mal as palavras no meu sonho, quero acreditar nisso.
Arruma na mala tudo o que sou, vamos levar-me de viagem, viver os mundos que ainda não vivi, abraçar os lugares que ainda não imaginei, beijar todas as essencias que nunca toquei nem cheirei.

vamos ser o que não somos por segundos, vamos sonhar. Porque te sonho?

Esquece as memórias de nada nos valem no juízo, vamos viver do que fomos nos segundos em que sonhámos que podiamos ir onde não queremos chegar, onde não pensámos, não escrevemos, nem fizemos mais se não sonhar, mas sonhemos sem que a barreira nos prenda, vamos descendo à realidade que é: não quero.


Vamos apagar o facto de as palavras não nos ocuparem os dias, vamos fingir que os olhares não nos preocupam, que somos capazes de ser assim, que não somos, vamos, por momentos esquecer que existe um mundo, que existem sentimentos, e outras razões, e vamos sonhar.

Somos nós.

Toca o despertador que nunca marcámos, levantamo-nos e nada somos se não o que somos, o que não queremos, o sonho que não lembramos que vivemos durante segundos e que ficou na cama, enrolado nos lençois que os aqueceram, na noite que nos envolveu, e no som do despertador que na verdade nunca tocou porque não existiu.

Mas que sonho?
que sonho?
que sonho que sonhámos? ou não
que sonho que inventamos? ou não
o sonho que vivemos? irrealidade nata.
que sonho? o sonho que não conhecemos ?
que a noite nos levou a dormir durante o dia e o deixámos passar.
shh, eu tenho um simulador de sonhos!

27.1.09

que o vento te leve, sonho.

Acordo a meio da noite, sobressaltada, vinda de um sonho inacabado. Não vamos por aí, eu não quero ir por aí. Já sei o final da história e não quero estar aqui para vê-lo. Já conheço as frases ditas e os gestos conjugados, e eu não quero viver por aí, nem disso. Quero matar-te, cortar o mal pela raiz, deixa-me matar-te, sonho. Quero invadir-te irracionalmente, matar-te a pouca vida que te dei, quero matar-te de beijos, abraços que não quero dar e palavras fatais que não te quero dizer, permite-me a gentileza, por favor. Não quero contar mais histórias a meio, deixa-me que as palavras nada tenham para falar. Fecho os olhos à noite que me ultrapassa, saio para a rua à procura de um sonho, não te fujas de mim, só te quero acabar. Dou por mim a olhar-te da janela embaciada onde escrevi o meu contacto - se te virem que te tragam até mim. Dispo o olhar de despero, quero sonhar-te outra vez, onde te meteste sonho?
Se eu fosse um assassino profissional, teria posto termo à tua vida na primeira vez que te sonhei, mas deslumbrei-me e deixei-te escapar, deixei-te mostrar-me que se quiseres viras o meu mundo de pernas para o ar, mas eu não quero viver ao contrário. E volto a dizer, se eu fosse um assassino profissional ter-te-ia morto na primeira noite em que vieste ao meu encontro, teria fechado os olhos a todas as horas que te pensei e conseguiria dormir tudo o que te sonhei. E mesmo que eu fosse um assassino profissional, certamente não escreveria sobre ti, maldito sonho que me persegues e eu não te encontro! Passaria a noite a claro, com apenas a luz da mesinha acesa a pensar a melhor maneira de te desacreditar. Mas se eu fosse um assassino profissional seria tipo Freddy Krueger, e acabava contigo durante o sono, não teria a mais minima preocupação. Mas eu não sou um assassino profissional, não passo de mais uma romancista do pior, que vê corações em tudo quanto é canto, e para te matar, seu sonho que me atormentas a noite, teria de ser com um cravo na espingarda, qualquer coisa de muito vemelho e muito doce à mistura, quem sabe com umas frases de poemas alheios e com um leve toque de adeus. (como podia eu tocar-te, sonho?)

E não sou, e tu sabes de mais sobre mim, talvez seja melhor contratar um assassino profissional, ou preferes que te mate?




mas, mas, mas... eu sou uma romancista do pior!
que o vento te leve enquanto o dia passa, ou que a noite não chegue enquanto não partires,
que nada te magoe enquanto retiram a pouca história que foste escrevendo mas que nnguém se lembrará,
que o mar te colha nas suas ondas e que vás desaguar numa outra noite do outro lado do continente, ou eu...
ou eu, não vou saber matar-te!

23.1.09

tive um sonho: o sorriso.

Hoje calo as palavras que não são minhas. Por hoje sou só eu que já não sei bem quem sou, ou por outra sou aquilo que poucos reconhecem, agora. Hoje calo as emoções que nada me dizem fora de mim, por hoje sou a rocha que de mim fazem. Hoje perdi o dom de falar sobre o mundo lá fora, por hoje sou apenas 170 centrimetros de altura, um ponto no universo. Hoje escrevo para mim, porque deixei escapar-me por entre os dedos o significado das palavras.
Volume no minimo, música ambiente e oiço o som da chuva lá fora, ouvi dizer que estes são os melhores dias para chorar, li algures escrito que podemos sempre dizer que é a água da chuva que nos molhou a face, esquecemo-nos de mencionar é que a água da chuva não leva sentimento, mas eu não choro, hoje não sou sentimentos.
Hoje penso apenas onde pertenço, porque descobri um novo eu que não consigo encaixar em mim, fechei as portas à entrega, a esse sentimento estranho que não sabemos defenir, mas hoje não estou em mim, hoje sou sensações desconhecidas que não quero sentir. Não preguei olho a noite inteira, com tanto sonho que tomou conta de mim, para dizer a verdade, não descanço os olhos desde o dia em que acordei a sonhar com o, vamos chamar-lhe, sorriso. E é o sorriso mais bonito que eu já vi, em sonhos.
E é esse frio de estranheza em que me vejo, a minha dependência sou eu, e agora, o sorriso que sonhei na noite em que não dormi, e eu, ando de mãos dadas com o presente.
O telemóvel toca, acaba com a calma em mim, não é assim tao importante, pode ficar para depois, os sorrisos não têm operadora móvel, e nunca mais é de noite. Mas não existe sorriso sem face, e eu espero pelo próximo sonho.

até lá, a realidade consome-me os dias, com um sorriso, o meu melhor sorriso.
( quero sonhar o sorriso, aquele sorriso )