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22.1.11

never look back

É engraçada a forma como passamos toda a vida a desejar coisas, e muitas vezes, a esperar que elas aconteçam e, quando não acontecem, a ficarmos desiludidos connosco. É engraçada a forma como deixamos a vida passar por nós e nos esquecemos de fazer parte dela. Como passamos o tempo inteiro a sonhar acordados e, mesmo assim, conseguimos ficar sempre de braços cruzados sem fazer nada. E, quando tudo o que precisamos de fazer é querer tanto, que acabamos por lutar.

Das muitas coisas que me ensinaste, esta sem dúvida, só aprendi contigo. Passamos grande parte da nossa vida a correr atrás de sonhos, daqueles que nos fogem por entre os dedos mesmo quando tanto teimamos em agarrá-los. E nunca nos perguntamos, porque é que não lutamos por eles? Nós, aprendemos juntos o valor que as coisas têm quando muito as queremos, aprendemos a não cruzar os braços, nem deixar andar, mas a querer tanto as coisas, que inevitavelmente lutamos por elas. E podemos nem sempre ser os mais correctos, às vezes acabamos por gritar, por achar que não nos merecemos, mas sabemos que no final de tudo, nos temos um ao outro, e que por muita gente que não goste, que não queira ver-nos juntos, nós queremos muito mais que todos eles. E continuamos aqui, a pertencer um ao outro, nos melhores, e nos piores dias da nossa vida. Ambos sabemos que já passámos por muito, já nos esfolámos, já nos desgastámos, já caímos, mas há sempre algo que nos faz levantar, que nos faz querer mais, e isso, é acreditar que não há nada melhor do que nós.

Também é preciso acreditar, que independentemente de tudo, é sem dúvida aquilo que mais queremos que nos completa e nos faz mais felizes.

15.1.11


" Whatever you do in life will be insignificant, but it’s very important that you do it. Because… Nobody else will. Like when someone comes into your life and half of you says: You’re no way near ready, but the other half says: Make her yours forever. "


7.9.10

AVANTE


E isto foi a minha vida nos últimos 5 dias.

voltarei mais tarde para escrever :p

1.8.10

António Feio.


" Se pudesse, matava o bicho a rir. "






















Sabem o que é que me veio à memória? Eu já me ri tanto em frente a uma televisão..
Até já.

20.6.10

José Saramago.



" E se as histórias para crianças fossem leitura obrigatória para adultos? Seriam eles capazes de aprender o que à tanto tempo têm andado a ensinar? "



E fica uma pergunta, com um grande senhor.

1922-2010.

6.5.10

Eu amo-te, alguma vez to disse?


"Chamo-lhe amor para simplificar. Há palavras assim, que se dizem como calmantes. Palavras usadas em série para nos impedir de pensar." Chamo-lhe amor porque assim o é, um amor sólido e incontestável. Eu amo-te, alguma vez to disse? Desculpa andar sempre ocupada demais para tal, ocupada demais para sentir, ocupada demais para ter tempo. O amor é intemporal, dizem. O amor arrebata-nos por dentro, oferece-nos um lindo sorriso e um bater suave do coração. Eu amo-te, alguma vez to disse? Há noites seguidas que tenho este sonho, o nosso sonho, chamo-lhe. Há noites seguidas que não durmo para te sonhar, noites belas e curtas. Curtas demais para te viver, belas demais para as abandonar. O cansaço apodera-se de mim... mas não te preocupes, não te deixarei uma única noite sem mim. Não ficarás à minha espera, bebo dois/três cafés, se necessário. E eu que odeio café! Tudo para poder passar algum tempo contigo. Eu amo-te, alguma vez to disse? E antes que a manhã comece e eu me esqueça de ti, na rotina que são os meus dias, quero lembrar-te que não estás aqui e o teu abraço não chega. Deixo-te cair no meio dos meus projectos, perdes-te nas folhas que assino e deixo por assinar, nas reuniões sempre com pressas e esquecimentos, acabo por me esquecer de ti. Ficas sentado na esplanada do nosso restaurante, horas e horas, até que o teu telemóvel toca, e suspiras, porque sabes que te voltei a esquecer. Eu amo-te, alguma vez to disse? Gostava de ter mais tempo, dizes que me compreendes, que fica para o dia seguinte, mas no dia seguinte sabes que não me vou voltar a lembrar de ti. É disso que eu gosto tanto em ti, vives a vida na tua eterna liberdade e não esperas nada de ninguém, mas quando o sol cai e a noite volta para me lembrar que sou eu que espero por ti e sonho-te, às voltas na cama, porque sei que quando chegar a manhã, eu vou voltar a não ter tempo para ti. Eu amo-te, alguma vez to disse?
Juro que largo tudo, um dia, só para poder ter tempo para ti. Largo esta minha vida atarefada pelo doce prazer de te abraçar, de me perder nos teus braços. E saber que estarás sempre sentado nessa esplanada, com vista para o mar revolto que tanto adoramos, tem um gostinho tão doce quanto os teus beijos. "Tu és o único que nunca me pode esquecer. Esquecemos alguma vez uma parte do que somos? Esquecemos apenas o que podemos isolar na lembrança." Eu amo-te, alguma vez to disse? Estaremos juntos ao luar, a papelada esquecida na secretária. E eu que nunca abandono um projecto a meio. Fá-lo-ei por ti, prometo. Ainda acreditas nas minhas promessas? "Quando as coisas deixam de durar, alteram-se. O simples facto de deixarem de ser altera-as, por mais que procuremos fazê-las estancar." És a excepção à regra, disse-te em tempos ao ouvido num leve sussurro. E volto a repeti-lo, agora, longe de ti. Eu amo-te, alguma vez to disse?
Um dia, recebes uma mensagem minha a dizer que estou aí dentro de 5 minutos, e se, nesse dia já não acreditares em mim, eu juro que espero por ti, peço a mesma mesa onde te sentas todos os dias, e um gim tónico, como tu fazes para não te cansares de esperar enquanto desfrutas da vista. Quando chegares, dou-te um beijo para te lembrares do sabor dos meus lábios e relembrares o desejo que sempre sentiste por mim, pedimos a conta e vamos a minha casa, arrumamos todos aqueles lápis e mais réguas de diferentes formas e feitios numa caixa, e acabamos com as minhas arquitecturas e projectos de uma vez por todas! E eu que estudei uma vida, para ter uma paixão, largo tudo por ti. Eu amo-te, alguma vez to disse? "Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor", e o nosso amor é feito de esperas e promessas, mas de muito coração. Um dia, agarro nas minhas malas, bato-te à porta e pergunto se ainda queres viver comigo, se me queres aquecer quando as noites são geladas, se queres fazer um dia mais feliz só por dizeres que tens saudades minhas. Eu amo-te, alguma vez to disse?
Nesse dia estarei a renunciar a toda uma vida planeada e arquitectada, por mim própria, quando precisei de lutar pela minha sobrevivência. Estarei também a cometer a maior loucura de toda a minha existência, por ti. Nesse dia estarei a quebrar todas as regras, a fugir de todas as responsabilidades, a tornar-me uma rebelde, a entregar-te o meu coração. Dedicar-te-ei todos os meus dias fazendo valer a pena todas as tuas esperas. Não voltarás a ouvir da minha boca que "não posso, não devo ou não tenho tempo", serei completamente nossa. Quando esse dia chegar ainda me desejarás? Eu amo-te, alguma vez to disse?
Esse amor que me reservaste, que levas contigo para todo o lado, ainda o terás contigo quando eu o reclamar? Podias ter-me esquecido, mas nem uma aventura. Nem uma única noite em lençois alheios, "o sexo é a traição dos fracos, e eu não seria capaz de trair este meu amor por ti", disseste-me tu em resposta a uma mensagem que te enviei um dia destes. Uma estranha sensação percorreu todo o meu corpo, soube nesse instante, no preciso momento em que abri a mensagem e a li vezes sem conta, que toda a minha dedicação à profissão não preenche nem metade do que o teu amor consegue. Fizeste-me desejar voltar a ti, voltar a nós. Eu amo-te, alguma vez to disse?
Escrevo-te em carta aquilo que a coragem nunca me deixou dizer-te, todas as palavras que não leste em mim porque não me dei, todos os sonhos que planeaste e eu deixei morrer na nossa praia, e o mar levou, para outras pessoas, que, sabe-se lá, os podem ter apanhado, e podem ter dado mais amor a quem os espera, como tu me querias dar a mim. Escrevo-te em carta, todas as tuas ilusões e desilusões e deito aqui todas as minhas promessas, aqui te mando todos os meus beijos, de boa noite e bom dia, aqui te levo os pequenos almoços à cama, e aqui, aconchego-te nos meus sonhos e nos meus abraços. Um dia, dou-te todo o tempo do mundo, e podes conhecer tudo o que de mim, nunca deixei. Deita-mo-nos na areia à beira-mar, deixamos que as ondas nos cerquem, envolvemos os nossos corpos e fazemos amor em cada pedaço de nós, horas e horas, nessa praia, nesse mar, eu prometo - Amanhã mudo-me p'ra tua vida. Eu amo-te, alguma vez to disse?

Inês de Carvalho e Sara Ribeiro

19.4.10

A saga de um pensador

"Vocês podem calar a minha voz, mas não os meus pensamentos!
Vocês podem acorrentar o meu corpo, mas não a minha mente!
Não serei plateia desta sociedade doente, serei autor da minha história!
Os fracos querem controlar o mundo; os fortes o próprio ser!
Os fracos usam as armas, os fortes as ideias."


30.5.09

Doença de uma vida.

« Um homem dos seus cinquenta anos foi internado com um problema pulmonar. Mas, nem o sofrimento que todos lhe viam estampado no rosto, nem a dificuldade em andar, visivelmente dolorosa, tinham a sua origem no mal que motivara o seu internamento. Do que o homem se queixava, amargamente, aos outros doentes do sanatório, era... »
José Saramago, " Bagagem do Viajante "


... da dolorosa vida que levara e continuara a trazer com ele, a família que após uma luta intensa contra o seu vício, o jogo, o deixara.
- Partiram sem dizer nada. - contava ele, tristemente, aos seus, agora, companheiros. - Saíram de casa ao amanhecer, mesmo antes da sua quinta dar os seus primeiros sinais de movimento à amarga manhã que viria a surgir.
A claridade começava agora a invadir-lhe os olhos, era mais um dia. Sabia que tinha mais um obstáculo pela frente, viver até ao amanhã. Ouvia falar de tudo, as pessoas que o viam, comentavam baixinho umas para as outras o aspecto que ele tinha: a barba visivelmente por fazer à vários dias, o cabelo branco e velho, a face cansada e carrancuda vincada pelas rugas da memória e a sua cor suja de um passado menos bom.
Estava na hora da conversa, e como sempre, proferia as palavras: " partiram ao amanhecer… " e continuava a sua história.
Levara a sua vida, nos últimos dez anos, longe da filha, - cuja única lembrança que lhe havia deixado era uma fotografia, amarrotada, e queimada num dos cantos a sugerir o desaparecimento de alguém, que na verdade, era ele - do filho mais velho, um rapaz que lhe nutria um enorme ódio e por fim, da sua mulher, a única que realmente algum dia o amara. Vivera na rua, esgotado, e sem forças para caminhar na própria vida, habituara-se a um beco a que dava o nome de casa, onde esperava a caridade e boa vontade de outrem e o único local onde tinha alguém que o esperasse , um pequeno cão, que tal como ele também havia sido abandonado.
Quando lhe perguntavam de que sofria, o homem sem muitos rodeios, respondia que devido ao frio e a chuva do Inverno passado contraíra pneumonia. A doença não parecia afectá-lo muito, não se importava com isso, ele tinha apenas o desejo de voltar a ver a sua filha que teria agora dezoito anos e o seu filho de vinte e quatro.
Estava aparentemente gasto, mais velho do que a idade sugeria, emocionalmente cansado e farto de falar com outras pessoas, pediam-lhe sempre que contasse a sua história, e no final ouvia sempre as mesmas palavras: " falar faz bem, não se sente melhor?" e sem o mínimo de pena, levantavam-se e prosseguiam a sua vida.
Poucas recordações estavam acorrentadas a si, lembrava-se apenas do cheiro doce do cabelo da sua filha, o sorriso brilhante e os olhos cor de mar que herdara da sua mãe, das palavras rudes do filho que ouvia por este gostar de mais dele e não querer vê-lo perder-se.
Sozinho, porque os anos tinham-lhe tirado o pouco que possui-a, chorava relembrando os bons momentos que passara com a sua família. Nunca o tinham visitado nem tão pouco sabia onde se localizavam, queria escrever-lhes uma carta a pedir desculpas e a dizer o quanto se arrependeu de tudo o que fez, mas não podia. Então, de noite sonhava que escrevia a carta, que a queimava junto ao mar e desejava que esta invadisse os sonhos dos seus amados.
Os dias passaram e não se sabe de que morreu, se da doença que lhe tirou a vida, ou se da vida que lhe deu uma doença.

Inês de Carvalho, 2007