11.4.09

há cartas e cartas.


(não a descreveria como “a carta que eu nunca te escrevi” mas sim “a carta que os meus olhos te leram”)

Querido amor de uma vida, gostava de te dizer que não tenho saudades tuas, mas morro desde o segundo em que te virei as costas, e se fosse apenas uma vez, mas enfrento a dor de te virar um mundo tantas quantas as vezes que te vi pedir... mas eu não te sei ver ir embora! E não é nada que tu já não soubesses. Senti saudades tuas em cada segundo em que não pudeste estar ao meu lado, senti tristeza em cada até já que nos vimos obrigados a dizer, chorei em cada beijo de despedida, e correspondi cada sorriso teu, e nunca precisaste de me dizer mas, eu sei que tu também sofreste sempre que me levavas a casa. (vou agora contar-te um pequeno segredo, às vezes ainda te imagino a levares-me até ao comboio, e continuo a sorrir para trás, lembraste disso? Até quando me foste dizer adeus eu te sorri! E tu sabias que eu estava a chorar... diz-me, onde consegues tu encontrar alguém como eu?!).

Mas, quero dizer-te que a vida não espera por nós, quisemos um mundo para nós, com o nosso tempo, as nossas horas, as nossas palavras e de tudo o que construímos, sabes dizer-me o que é que ainda é nosso? As muralhas do reino não eram assim tão fortes, os soldados não souberam fazer guerras e o amor não soube trazer para casa a vitória, perdemos a batalha! Deixei de sentir os teus braços a proteger-me do frio, e a dizerem-me que não me vão deixar ir, deixei de te ouvir susurrar-me que eu era a tua vida, e diz-me tu como se aprende a viver sem isso? Deixei de sentir a tua mão entrelaçar a minha e a guiar-me o caminho e eu perdi-me de mim mesma. Queres saber uma coisa? Eu ainda hoje não sei porque te foste embora... E por isso não sei como te deixar ir, às vezes, aqui bem dentro ainda nos vejo a passear de mão dada, a rir das caras um do outro, ainda me oiço a dizer que te odeio e que és tudo para mim, ainda me vejo a fazer-te aquele olhar do “tem mesmo que ser?” e por vezes ainda me deixo falar “tens mesmo que ir embora?” mas eu não posso, não posso viver numa casa que já não está no mapa, um caminho que já ninguém conhece, quem somos nós? Agora, somos apenas tu e eu, e é como se não tivessemos tido passado, mas para mim temos, eu já te disse.

Diz-me, de manhã nunca acordaste a pensar que já adormeci ao teu lado? Embora nunca te tenha dito, eu acordo muitas vezes assim, mas olho para o lado e só estou lá eu, tu já te levantaste bem cedo e foste embora mas nem se quer me deixaste um bilhete a dizer para onde ias, ainda estou à tua espera em casa, vais demorar? Podes ligar-me a dizer que já não vens cá dormir, eu já estou à espera. Mas porque é que voltas às vezes, se tu sabes que não me queres dar aquilo que eu peço? Se só me vens visitar, abre a porta e vai-te embora, eu não quero memórias perdidas! Se só me vens mostrar que estás bem sem mim, segue em frente, não te quero apelidar de desilusão mais uma vez! Se só vens ver se eu ainda estou aqui pra ti, desaparece, eu não corro atrás de fantasmas! Se só vens para me sorrir, não venhas, as lágrimas já não gostam mais de ti...

Disse-te uma vez, não sei se te lembras que “Eu tenho um grande defeito, ou não. Raramente gosto, mas quando gosto é a sério...e eu gosto mesmo de ti”, o mais dificil não foi admitir que não vivia sem ti, foi aprender a viver contigo, como queres tu que aprenda a viver sem ti? Eu teria dado o mundo por ti, mas já não dou, nem te dou uma vida... muito menos a minha!
Agora, lembra-te que da ultima vez que estiveste comigo não me olhaste nos olhos, e eu conheço esse olhar melhor que ninguém, não me sorriste e eu sei que tu não sorris a quem nada te diz, nem me falaste, e eu percebi que não estava a fazer mais nada na tua vida. É suposto irmos embora quando percebemos que estamos a mais não é? Se um dia quiseres voltar, chama por mim, eu também só oiço aquilo que me interessa... Até já ou até nunca.

é de manhã, acordo e olho para o lado,
a minha mãe hoje escreveu que tu já não voltas.

10 comentários:

  1. « Mas porque é que voltas às vezes, se tu sabes que não me queres dar aquilo que eu peço? »

    passei e ainda hoje passo por isso :x

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  2. Nada completa os pensamentos complexos não é? Talvez volte na tentativa de querer ver-te também, mas não quer nada contigo e isso só te aflige a ti. Marca uma geração, porventura a alma, mas não pode marcar uma vida inteira. E quando acordares e não vires ninguém...liga-te a este mundo dos "colegas" bloguistas que aqui nós sabemos compreender-te e preencher-te mais um bocadinho do lado esquerdo da tua virtude, não é?

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  3. Oh Inês se há textos que tu escreves (ou escreveste) e que se encaixa perfeitamente em mim...este é sem dúvida um deles...
    Consigo ouvir o meu coração e alma a pronunciarem cada palavra...cada momento...cada sentimento que as tuas (belas) palavras transmitem...

    Está perfeito. Está sentido. São palavras vindas do coraçao.

    Adorei=)

    ***

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  4. « Mas porque é que voltas às vezes, se tu sabes que não me queres dar aquilo que eu peço? »

    peguei na mesma frase que a ritinha, porque esta frase define muito bem tudo o que tenho sentido até hoje. apesar de ter conseguido voltar as costas a um grande amor (talvez o grande amor da minha vida ou, pelo menos, o mais intenso), todos os dias sinto um pouco de saudades, e ele às vezes volta, pede pra eu ficar, mas resisto e digo que não, porque de sofrimento já estou eu cheia (:

    inês eu AMO as tuas palavras, sabes bem. escreves maravilhosamente bem, já te disse um milhão de vezes.
    e eu gosto muito de ti (L)

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  5. Consegues com que fique 'colada' a cada palavra tua Inês :$

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  6. repito o que a anarita. disse! tal e qual (:

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  7. senti-te em palavras!!

    beijos em ti, com amor de amizade!

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  8. "Se só vens ver se eu ainda estou aqui pra ti, desaparece, eu não corro atrás de fantasmas!"

    Gostei tanto, tanto, tanto :D

    Beijinho.

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