23.12.12

querer-te todos os dias mais uma vez

Nunca fui muito boa a dar nomes às coisas, a chamar-lhes por isto ou aquilo, nunca fui boa a explicar-lhes a matéria de que são feitas. E talvez seja por isso que vivo sempre no limite, talvez seja isso que me faz saborear tudo mais e melhor, toda essa não necessidade que catalogar todos esses momentos, toda essa sensação de viver sempre tudo pela primeira vez. É por isso que não lhes dou nome, toda essa imensidão indefinivel não pode ser assim definida. É por isso que te escrevo, que te tento dizer, por muitas outras palavras, que há frases que não chegam, que já não vivem connosco, já não nos conseguem acompanhar. É por tudo isso que te vivo, porque é mais fácil viver-te do que falar sobre nós, é mais fácil sentir-te, e mostrar-te que quero roubar todos os dias para nós, é mais fácil fazer-te querer-me todos os dias mais uma vez. E cada vez mais, as palavras são tão pouco.


19.12.12

simple as that,

Há muito tempo que não te escrevo, mas da mesma forma que tu te sentes bem no silêncio, as palavras são o que me acalma a mim. É uma das quantas coisas em que, querendo ou não, não conseguimos ser iguais, mas a verdade, é que sempre me disseram que os opostos nos atraem e, deve ser isso, que de uma forma especial nos mantém sempre no caminho um do outro. Nos dias em que as palavras são o que melhor me aquece, tu precisas do teu espaço, mas é de certa forma, esses tempos desencontrados que fizeram de nós tudo o que somos hoje, essas corridas desenfreadas um para o outro, são essas pequenas, e por vezes não tão pequenas assim, diferenças que nos fazem o melhor de nós.
Há muito tempo que não te escrevo, nem te choro e me tenho escondido naquilo que não sou, mas, eu queria que soubesses, que por muito que aconteça, por muito que às vezes nos encontremos desalinhados, também faz parte, e é por fazer parte que mesmo aí, todas as manhãs, és tu quem me vem ao pensamento, e é também contigo que me deito e vejo as horas a pensar enquanto não posso estar a teu lado. Por muito que os nossos dias, por vezes, pareçam tão aterefados que quase nos esquecemos de nós, tu és o primeiro número para o qual penso ligar quando chego a casa, o ultimo que quero ouvir antes que o dia passe e volte a ser dia outra vez, mesmo quando gritas, quando berro, quando passamos horas a dizer um ao outro tudo aquilo que sabemos que não é exactamente o que sentimos, é para os teus braços que eu quero correr e é em ti que eu vejo nós.
Como poderia eu ver um nós em algo que não seja formado por eu e tu, no meu mundo, não faz sentido uma vida sem te ter aqui, e é por isso, que mesmo que acordes longe de mim, saberei sempre que dormiste ao meu lado, saberei sempre que dormimos agarrados um ao outro, porque, por muito que a distancia tenha dias em que nos separe aos dois, nunca conseguirá levar para tão longe um nós.
Às vezes, por falta tempo - o que na verdade, de desculpa não tem nada - esqueço-me de te agradecer todos os dias, o dia que passou, por isso, por todos os dias em que não te disse que me fazes feliz, obrigado, e por todos os outros em não me vou lembrar, desculpa, mas todos os dias somos nós ao teu lado.