10.7.10

só os corajosos se atrevem a amar,

É preciso uma grande dose de loucura! Só os loucos se atrevem a abraçar o amor, a perderem-se nas suas entranhas, a esquecerem-se de ficarem sozinhos e a lerem os seus corações, a sonharem acordados e a viverem duas vidas paralelas e de tal forma tão intersectadas que nos lembramos de pensar que somos um, é de loucos! Só os corajosos é que se abrem desta forma e deixam as portas escancaradas a idas e voltas, a risos e choros desesperados que acabam três segundos depois, ou que por vezes duram uma noite inteira. Só os corajosos é que pensam primeiro nos outros do que neles, só esses pobres (e tão ricos) coitados se lembram de fazer alguém feliz. Esses, pensam em adormecer e acordar ao lado de alguém só pelo simples brilhar dos seus olhos, em acordar durante a noite só para lhes chegar os lençóis acima, preocupam-se com uma lágrima no canto do olho, um sorriso mais distante e um olhar mais frio porque não se podem perder deles mesmos. Esses fracos e tão fortes abismos e picos de felicidade, é difícil amar alguém, só pelo simples facto de termos de o enfrentar, de lhe falar, de o criticar, felicitar e acima de tudo manter feliz, é mais fácil amar roupas, acessórios, telemóveis, e então, podemos desistir como fracos, manter as nossas rotinas e baixar a cabeça sem saber viver no cume da montanha. Amar é complicado, custa por de lado toda uma vida antiga, todos os planos e objectivos, para começar uma nova etapa do zero, uma vida com dois sonhos, é difícil não ter limites viver no máximo e no mínimo e nunca esperar nada, se não, um sorriso ou um beijo, é preciso saber bater com a porta e ir embora, para voltar e ser capaz de não dizer adeus, conseguir olhar nos olhos e perdoar, aprender a dar mais valor aos gestos que se tornam especiais por si só, e mais difícil ainda, é saber mandar o orgulho para trás das costas, dar-lhe um valente pontapé e recordar-lhe que não queremos que ele volte, mas ele volta. E valorizar o silêncio, loucos são aqueles que amam no meio das palavras, que se mostram mas não se conhecem pois não sabem se não, falar de amor. O amor não se fala, vive-se no silêncio dos momentos, nas recordações da memória e principalmente no coração. Quem não sabe dizer adeus e estar pronto para dizer olá, mais vale não amar, não se perder nesse caminho, não viver constantemente feliz e em baixo, e não saber desfrutar de tudo isso. O amor é difícil, louco, complicado e para super-heróis. Somos todos pequenos heróis, nós que vivemos o amor e dele vivemos, daqueles que ouvem e são ouvidos e sabem quando devem ou não falar, capazes de abraçar, perdoar e esquecer, mas principalmente heróis capazes de se lembrar o que é aprender. Temos todos uma capa, um super-fato e um coração que nos faz sentir que nada mais interessa se não o amor que temos para dar, o beijo que recebemos ao ir embora e ao chegar, a carta que nos chega atrasada, mas esperamos porque o amor é uma eterna espera, e vale sempre a pena acreditar em quem amamos. Por isso, somos corajosos e lutamos contra as nossas pequenas tempestades, aguentamos e caímos quando ninguém está a ver, porque sabemos que logo de seguida vamos levantar-nos e sorrir, então, guardamos e recordamos sem medo de nos magoar, gritamos e falamos sem medo de nos ferir e esperamos, como eternos românticos que somos, que no dia a seguir continuemos a ser um só, e no dia a seguir, e a seguir e a seguir. O amor é difícil, louco, complicado e para super-heróis. - e sabe tão bem vive-lo de mãos dadas com alguém. - Por isso, aprendi a vive-lo no limiar da loucura, a acreditar quando toda a gente esquece e a lutar quando não há ninguém que me diga que é certo. Aprendi que o amor não escolhe certezas, mas trava batalhas. O melhor e mais importante de tudo, aprendi que não quero, e recuso-me, a viver sem te ter ao meu lado.