
hoje dei por mim a falar de nós, a falar-nos a uma outra pessoa a quem nunca nos tinha conversado assim, e ela, não te conhecendo deliciou-se com o amor que tenho por ti. Não te posso garantir que os meus olhos brilharam, mas tenho quase a certeza que sim, e que os meus lábios se rasgaram num sorriso tão bonito como aquele que um outro dia, há algum tempo já, te fiz. Dei por mim a dizer-lhe que tinha a certeza que era contigo que eu queria ficar, não só por muito tempo, mas por um tempo que tem tanto de grande como de infinito, disse-lhe o quanto me irritavas por vezes, e o quanto eu não saberia viver sem ter isso na minha vida, e dei por mim a dizer, o que tantas vezes já me tinha ocorrido, mas nunca te disse, esse teu jeito, por vezes tão diferente do meu, e que nos faz divergir um do outro, é também aquilo que mais nos une, porque eu sei que não saberia ser eu sem ter essa tua parte em mim, e tu não te sentirias tão completo longe deste meu mau feitio. Não saberia viver sem essa tua teimosia que me faz gostar tanto de ir a luta, e tu não serias tão preocupado se não tivesses tanto medo de me perder. Há quem diga que o facto de duas pessoas serem tão diferentes impossibilita que sejam um só, mas eu digo-te, é o facto de por vezes sermos tão diferentes um do outro que nos faz tão iguais, tão completos, tão cheios em nós. Hoje, e desde que te tenho, que sinto-me assim, capaz de carregar o mundo inteiro às costas, e ainda assim, não sei o que me prendeu a ti, se foram as palavras, os cuidados e preocupações, se foi esse sorriso que cativa meio mundo, ou esses olhos que, mesmo que por vezes tentes, não me conseguem esconder nada, mas todos os dias eu morro por um abraço teu, por um simples entrelaçar de dedos, que sei eu, sentirei saudades assim que me for embora até te voltar a encontrar no dia seguinte. Sei que foste tu e não interessa como, que fizeste o que mais ninguém conseguiu, hoje sou tua, sou tua sempre.


