
"Telefonar-lhe para quê? Não se pede carinho, nem amor, nem atenção, nem tempo a ninguém. Se as pessoas gostarem mesmo de nós, acabam por nos dar tudo."
Sabes, foi isto que acabei por aprender, foi isto que fui obrigada a aceitar. E por isso, deixei de te falar sobre nós, deixei de te tentar mostrar aquilo que sentia. Há dias em que as saudades apertam tanto cá dentro, e a vontade de as demonstrar é tanta, mas eu aguento, tu sabes melhor que ninguém como sou, como me faço de forte e aguento tudo o que tiver que aguentar, ou pelo menos sabias. Há dias em que me acontecem coisas que talvez noutro dia eu te ligasse a correr só para sorrires, ou chorares comigo, mas agora não. Dias em que eu fosse a correr para os teus braços, porque tu tinhas que saber toda a minha vida, fazias inteiramente parte dela, e todas as minhas decisões passavam por nós. A verdade? é que eu simplesmente não era capaz de viver sem ti, mas até isso eu tive de aprender, e se tu soubesses o quanto doeu acordar sem ti, certo dia..
Eu sei que a culpa não é só tua, sabes bem que comigo, as culpas são sempre partilhadas, mas eu não consigo mais ir atrás de ti, e dói, já não sei tanto da tua vida, tu pouco sabes da minha, e tudo o que temos em comum, vai acabando por cair. Já não fazes parte das minhas decisões, e eu também não, e grande parte delas, não nos agradam simplesmente. Mas eu aprendi a deixar-te fazer as tuas escolhas, a deixar-te seguir em frente se é isso que tu queres, a deixar-te ficar às vezes, e a aceitar que venhas, porque apesar de tudo, eu sei que nunca nos vamos largar. E espero, porque quem ama espera, e dez anos não se amachucam e se enfiam no caixote do lixo de um dia para o outro.


