24.2.10

transborda.


cai uma, caiem duas, caiem três gotas,







até que um dia, a barragem transborda,
e a água começa a correr.


20.2.10

a espera.

« Quando se ama alguém tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida torna-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a deseja-lo, a organizar tudo para que seja possível. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver. »
Margarida Rebelo Pinto - O Diário da Tua Ausência.



Fui aprendendo que o amor não corre, não avança e não esquece. O amor vence. Fui aprendendo que o amor não passa à frente, não deixa passar, nem serve de cura. O amor sonha. Ensinaste-me que não se dá por conquistado, não se dá como certo, e eu fui aprendendo a ter medo de te perder. O amor luta. O amor sou eu, és tu e somos nós, hoje ou amanhã. E eu aprendi a esperar.
Fui aprendendo a esperar quando não vinhas, quando não falavas ou não sabias ouvir e aprendi que o não sei é a maior tortura. O amor chora. Fui aprendendo a voar mais alto, a cair mais rápido, e a viver intensamente. O amor emociona. Fui vendo que a vida não passa e depende, de uma palavra ao final da noite. O amor ri. E descobri que é tudo um carrossel, um sobe e desce e que agarrar-mo-nos um ao outro é a sobrevivência. O amor ama.
Aprendi que a vida és tu, o querer-te todos os dias, e o imaginar o amanha e o depois. Aprendi que o tempo não passa, e corre ao passar, porque não o vejo quando estou ao teu lado. Aprendi que não dói discutir, não magoa gritar, mas sim recordar porque é que aconteceu. Aprendi que um sorriso não morre quando desce uma lágrima, porque um abraço puxa sempre uma curva nos lábios. E hoje sou mais feliz porque nunca desisti.
Aprendi que a noite não afasta, não cala, nem causa distância, porque dormimos em função um do outro, os sonhos chamam, os sonhos falam, eles abraçam. Aprendi que não importa o quão nos tentemos esquecer que aconteceu, porque o amor supera, não esquece. O amor sente. Aprendi que as feridas abrem para que o amor as possa fechar. Somos um.
Aprendi que podemos usar os nossos corpos que eles vão suar, gastar-se mas faremos sempre sentimento. E percebi que não precisamos de dizer muitas palavras, porque o olhar já nos leu. O amor compreende.
Acabei por sonhar que as barreiras são sonhos, vamos dormir e quando acordamos já não lá estão. O amor é um. Somos só dois corações a amar o mesmo, nós. O amor é simples. - e por tudo isto, são mais de trezentos dias ao teu lado

29.1.10

todas as horas e segundos...


Já não há mais cartas lançadas ao vento !
és o remetente de todas elas,
de todas as letras,
de todas as palavras,
de todas as frases acabadas e a meio,
de todos os sonhos,
de todos os sorrisos,
de todas as esperanças.
Já não há mais promessas queimadas no mar !
és toda a verdade, todo o sentido,
do mundo,
da vida,
de mim.
Já não há mais segredos a morrer na praia !
morrem em nós, que já não os temos,
que os deixámos e libertámos porque são nossos,
um do outro.
Já não cresce mais o tempo, o nosso tempo !
parou quando nos viu sorrir um ao outro,
quando nos viu sorrir à vida, à entrada da nossa casa,
à porta do coração - ele parou.

Vivo porque te quero, porque te tenho, vivo(-nos)!
porque te espero em cada hora em que te ausentas, em cada pôr do sol em que te encontro ao final do dia, em cada promessa que amanhã vai ser sempre para sempre.
porque te leio entre sorrisos e palavras meio esquecidas que já não precisamos de dizer porque se dizem em nós, escrevem-se sózinhas no que somos.
porque te vejo em sons e cheiros que me trazes de ti.
porque te desenho em rascunhos de tempo, de desejos e sentimentos.
porque depois de hoje ou amanhã, vamos estar aqui..

E não acaba, porque no afinal, o nosso para sempre existe.

vivo-nos todos os segundos e as horas em que nos amo a nós, uma vida.

és o tempo, ele pertence-te e é nosso.

28.1.10

I see you

Walking through a dream / I see you /My light and darkness breathing hope of new life / Now I live through you and you through me / Enchanted /I pray in my heart that this dream never ends

I see me through your eyes / Breathing new life flying high / Your love shines the way into paradise / So I offer my life as a sacrifice / I live through your love

You teach me how to see / All that's beautiful /My senses touch your world I never pictured / Now I give my hope to you / I surrender / I pray in my heart that this world never ends








perco-me em ti, procuro-me em ti e encontro-me em ti.
és sonhos e realidade, és perguntas e respostas,
és-me.

24.1.10

és o amor

És o meu primeiro amor, o meu primeiro beijo, o meu primeiro sonho, a minha primeira vida. És tudo, porque apagaste tudo o que passei antes de chegar a ti, comecei em ti, e nada mais importa se não de ti, desde ti, até ti, o que vier, apenas, de ti. És o meu primeiro amor, o único, o verdadeiro, o amor, és tu. Podia eliminar o antes do meu vocabulário, guarda-lo numa caixa e deixa-la empoeirar-se, podia riscar todos os verbos no passado, cada quase e cada queria, e podia esquecer que a minha vida começou à muito tempo atrás porque só agora comecei a viver-te. Podia largar toda a bagagem e todos os livros que antes escrevi, pois só agora faz sentido. E podia rasgar todas as incertezas e todos os sonhos que ficaram por cumprir, porque tudo isso acabou. Agora és tu, és o barulho lá fora, o silêncio cá dentro, és o frio quando não estás, o amanhecer que me acorda num abraço, a noite que me adormece com um sorriso, és o meu mundo. Quero ler-te entre vidas, entre as nossas, com um brilho nos olhos, porque me és, porque nos somos. Quero querer-te todos os dias mais, e quero-te. Quero que sejas, o meu primeiro amor e o último, porque não imagino amor fora de ti. Quero-te em todos os dias, em tudo o que sou, em tudo o que temos, quero-te. És o meu primeiro amor, o único que importa, és o amor.