1.7.09

everything come and go

Desde muito pequena que a mim sempre me disseram que os amigos não são para sempre. Devo dizer, como sempre disse, que não é verdade. Ao longo da nossa vida, vamos tendo várias pessoas ao nosso lado, às quais acabamos por chamar de amigos, mas como tudo, umas ficam, outras têm que ir. Achamos sempre que vai durar para sempre, os amigos da escola primária, eram para sempre, alguns, ainda estão a nosso lado, depois os do básico, são para sempre, e os amigos do secundário também, há uma altura na nossa vida em que eles são sempre, para sempre. Eu guardo-vos a todos, embora muitos deles, soubesse que se iam perder no caminho, foram sempre para sempre, porque é para sempre enquanto existe. A nós, resta-me dizer que somos irreconheciveis, mentiria se dissesse que por vezes não tenho saudades, foi com vocês que cresci, e como sempre me disseram, são os anos do secundário que vamos sempre relembrar, mas o secundário já acabou, e muitos de nós também já. Enquanto existimos, fomos sempre um, mas as coisas mudam, e acabamos por partir esse um, em um para cada um. E eu que pensava que não havia nada melhor do que vocês, aprendi que vocês não são tudo. Não foi difícil dizer-vos adeus, pelo menos não tanto como imaginei quando estava com vocês, não tanto como imaginámos juntos, porque já nada havia para quebrar, era uma luta que cada um enfrentava para o seu lado, e acabamos por conhecer o que de nós estava escondido. Passámos muitos dos melhores momentos juntos, sorrimos juntos, e alguns de nós até chorámos juntos, falámos sobre tudo o que havia para falar, fizemos planos e muitos deles não concretizámos, outros, saboreamo-los com o maior sorriso do mundo, fizémos muito juntos, e estes que dizem ser os melhores anos da nossa vida, passámo-los juntos, mas agora, já nao estamos, e querem saber uma coisa, agora já não faz diferença. Obrigado pelo que foram.




foi a melhor forma que encontrei de recordar o que éramos.
" the world is closing in, and did you ever think that we could be so close, like brothers? "

26.6.09

viver (de) ti



Não há histórias começadas por “Era uma vez”, quando é que as histórias realmente começam?!

As personagens já existem, os maus já são maus, os bons já são bons, e os que nada são?

É desses que ninguém fala, e no final, são eles que têm as histórias.

Quem é que escreve os que nada são até que começam a ser tudo?

Não são os bons nem os maus, esses têm papeis limitados, são apenas tudo.




Gostava de te dizer que mudaste o meu mundo, mas as palavras não saiem, são poucas pra tanto. O mais fácil é dizer - obrigado por existires na minha vida.
Agora já consigo dormir, sei que mesmo que o sol não lá esteja o dia vai brilhar. Agora já consigo dormir, sei que mesmo que os sonhos me invadam o sono e provoquem insónias, amanhã quando acordar a realidade vai lá estar. Agora já consigo dormir, sei que se gritar não vais fugir. Agora já consigo dormir, já sei que não preciso de ter medo. Agora já consigo dormir, estás ao meu lado, e isso basta. Já sei fechar os olhos porque tenho um melhor motivo para os abrir. Bons sonhos, a noite já não é tão assustadora e amanhã o tempo passou mais rápido.

“ o tempo que passamos juntos vai ficar pra sempre,
intimidade, brincadeira, só a gente entende,
pra quem falar que namorar é perder tempo eu digo:
há muito tempo não cresci o que eu cresci contigo
(...)
sempre acontece, o tempo pára quando eu tou do seu lado
a noite chega eu fecho os olhos, é você quem eu vejo ”



( começo a não saber viver sem te ter perto de mim. )
quero contar-te um segredo: tens o melhor sorriso do mundo!

16.6.09

Boa noite.

" (...) lembrei-me que o amor é irracional. Quanto mais se ama alguém, menos sentido existe para tudo "

Adormeço a pensar em palavras, e acordo à espera de gestos;
não quero (apenas isso) !
Adormeço a ouvir histórias, e acordo num sonho real;
não quero (que seja apenas um sonho)
Adormeço com uma caneta na mão a deslizar palavras sem sentido sob um papel, e acordo a perguntar-me como é que te posso escrever.
(como é que se escreve o que as palavras não sabem dizer?)
Mais uma folha de papel dobrada no meio do chão, palavras feitas de nada, porque nada de novo têm para contar. É que hoje acordei e lembrei-me que amanhã é outro dia, e amanhã já há mais para te dizer. É que hoje acordei e lembrei-me que não quero acordar sózinha. É que hoje acordei e lembrei-me que já não é preciso ter medo. Desculpa, é que hoje lembrei-me que não sei escrever para ti. É que hoje, não há nada que explique o que temos. E amanhã, não haverá nada que explique o que construímos. E depois, não haverá nada que explique o quanto eu gosto de ti.
Sabes, é que durante os meus sonhos, surgiste-me todas as noites, e eu só te perguntei uma coisa, - Mudarias o teu mundo por mim?
E durante os meus dias, tu respondeste-me que sim.
Já posso ir domir.
E sabes o que te exijo? Amanhã é um novo dia, além disso, amanhã será outro novo dia o depois de amanhã? será sempre o próximo dia.
Boa noite, Eu gosto muito de ti
desculpa, perco o sentido às palavras quando quero falar de ti.

30.5.09

Doença de uma vida.

« Um homem dos seus cinquenta anos foi internado com um problema pulmonar. Mas, nem o sofrimento que todos lhe viam estampado no rosto, nem a dificuldade em andar, visivelmente dolorosa, tinham a sua origem no mal que motivara o seu internamento. Do que o homem se queixava, amargamente, aos outros doentes do sanatório, era... »
José Saramago, " Bagagem do Viajante "


... da dolorosa vida que levara e continuara a trazer com ele, a família que após uma luta intensa contra o seu vício, o jogo, o deixara.
- Partiram sem dizer nada. - contava ele, tristemente, aos seus, agora, companheiros. - Saíram de casa ao amanhecer, mesmo antes da sua quinta dar os seus primeiros sinais de movimento à amarga manhã que viria a surgir.
A claridade começava agora a invadir-lhe os olhos, era mais um dia. Sabia que tinha mais um obstáculo pela frente, viver até ao amanhã. Ouvia falar de tudo, as pessoas que o viam, comentavam baixinho umas para as outras o aspecto que ele tinha: a barba visivelmente por fazer à vários dias, o cabelo branco e velho, a face cansada e carrancuda vincada pelas rugas da memória e a sua cor suja de um passado menos bom.
Estava na hora da conversa, e como sempre, proferia as palavras: " partiram ao amanhecer… " e continuava a sua história.
Levara a sua vida, nos últimos dez anos, longe da filha, - cuja única lembrança que lhe havia deixado era uma fotografia, amarrotada, e queimada num dos cantos a sugerir o desaparecimento de alguém, que na verdade, era ele - do filho mais velho, um rapaz que lhe nutria um enorme ódio e por fim, da sua mulher, a única que realmente algum dia o amara. Vivera na rua, esgotado, e sem forças para caminhar na própria vida, habituara-se a um beco a que dava o nome de casa, onde esperava a caridade e boa vontade de outrem e o único local onde tinha alguém que o esperasse , um pequeno cão, que tal como ele também havia sido abandonado.
Quando lhe perguntavam de que sofria, o homem sem muitos rodeios, respondia que devido ao frio e a chuva do Inverno passado contraíra pneumonia. A doença não parecia afectá-lo muito, não se importava com isso, ele tinha apenas o desejo de voltar a ver a sua filha que teria agora dezoito anos e o seu filho de vinte e quatro.
Estava aparentemente gasto, mais velho do que a idade sugeria, emocionalmente cansado e farto de falar com outras pessoas, pediam-lhe sempre que contasse a sua história, e no final ouvia sempre as mesmas palavras: " falar faz bem, não se sente melhor?" e sem o mínimo de pena, levantavam-se e prosseguiam a sua vida.
Poucas recordações estavam acorrentadas a si, lembrava-se apenas do cheiro doce do cabelo da sua filha, o sorriso brilhante e os olhos cor de mar que herdara da sua mãe, das palavras rudes do filho que ouvia por este gostar de mais dele e não querer vê-lo perder-se.
Sozinho, porque os anos tinham-lhe tirado o pouco que possui-a, chorava relembrando os bons momentos que passara com a sua família. Nunca o tinham visitado nem tão pouco sabia onde se localizavam, queria escrever-lhes uma carta a pedir desculpas e a dizer o quanto se arrependeu de tudo o que fez, mas não podia. Então, de noite sonhava que escrevia a carta, que a queimava junto ao mar e desejava que esta invadisse os sonhos dos seus amados.
Os dias passaram e não se sabe de que morreu, se da doença que lhe tirou a vida, ou se da vida que lhe deu uma doença.

Inês de Carvalho, 2007

12.5.09

Home


I keep you with me, in my heart
you make it easier when life gets hard.


Depois de tudo, só te posso dizer que é bom voltar a casa. Palavras? deixaram de fazer sentido, até porque embora saibamos viver sem elas, como seriamos nós capazes de viver um sem o outro? Ainda há quem acredite que não somos imortais? Obrigado por ainda me dares o teu sorriso, que vida teria eu, se nada me desse luz?
' Por muito que o tempo nos leve a tomar direcções diferentes, nunca caminharei contra ti, sempre por ti e para ti '

- nunca dizer(-te) adeus