3.5.09

voltar a nós.

Estou aqui, mas tu não vens. Não te espero, perdi os meus sonhos nas tuas palavras, e eu não as quis ouvir, não quis acreditar que eras tu quem as dizia. Não podias ser tu. Tu sabes que eu preciso de ti, é o que vês sempre que me olhas, que te quero a meu lado mas que não posso ceder, que não te posso falar o quanto tu me fazes falta. (e eu tenho muitas saudades tuas, mas tu não podes saber), tu vês que eu quero correr atrás de ti e dizer-te que sem ti, eu não vivo, mas não posso! Não posso continuar a correr por ti se tu não queres, nem deixas, se te procuro escondes-te, se te quero falar, ignoras-me, como esperas tu que eu seja capaz de lutar por ti? Não tenho forças, não consigo encontrar mais... Já carrego pedras às costas, culpas às pedras, e tristeza às culpas, mas eu quero-te ao meu lado desde sempre. Põe os monstros de parte, nós somos imortais, vamos estar sempre amarrados um ao outro e eu não me perco do teu sorriso.

- até já! eu sei que voltamos a nós..

29.4.09

Escondidas.

Acordei, são 4h42, não chove lá fora, mas eu oiço o céu a chorar.
Não sei como te falar, desculpa, não tenho como, não me permites. Não quero ter a cobardia de não te saber dizer Olá, permites-me que te escreva? Não sou a ignorância que pintas, tu sabe-lo, porque julgas quem te conhece? Porque esmagas quem te ajudou a chegar ao topo? Não se pisam as montanhas!
Olhas para mim e vês a culpa que carrego às costas, mas eu não me sinto dona de culpas, não lhes sinto o peso. Não queria ter fechar os olhos quando olho para ti, mas até na tua cara tu me escreves "A culpa foi tua", mas não foi! Não foi minha, nem nossa, e muito menos tua, não há culpas.
Não me faças olhar para a frente, tu sabes que eu não me quero ir embora de ti! Sabes que eu não sou capaz, eu só fecho os olhos à mágoa, podes voltar sempre, eu não te fecho portas... Como podes tu pensar que eu não te carrego comigo, se tu não me sais da cabeça desde o dia em que te conheci? Como consegues tu questionar-te sobre nós e eu nunca dei um passo sem, em primeiro lugar, pensar em ti? Como és tu capaz de ignorar que somos imortais? E eu nunca, por momento algum me esqueço de ti..
Não sei se sabes o que é um abraço teu, para mim vai bem alem de alguém que coloca os braços à minha volta, e se algum dia conseguires perceber o que sinto cada vez que me abraças, verás que nunca poderia deixar-te para trás.

um dia, escreveste-me: " There's no wall, bridge or strength that breaks our friendship (...) No one can be more related than us (...) "

Quero que saibas que se quiseres ir embora, eu não vou ser capaz de te fechar a porta, podes ir, eu sei que tudo o que é nosso retorna sempre a casa e tu pertences-me. E se por acaso me quiseres dizer adeus, eu dir-te-ei " Até já ".

Um dia eu disse-te " Losing you is like living in a world with no air "

Hoje, dorme a pensar que:

" What day is it
and in what month
this clock never seemed so alive
I can't keep up
And I can't back down
I've been losing so much time ”

Desculpa-me, mas eu já não tenho 10 anos, já não gosto de brincar às escondidas, já tenho idade para ficar a contar, mas não quero! Não vou ficar à procura se foste tu que te escondeste e desde o início que eu não quero brincar. Não podemos brincar sozinhos. Já podes aparecer, foste o único que se safou, até já.

11.4.09

há cartas e cartas.


(não a descreveria como “a carta que eu nunca te escrevi” mas sim “a carta que os meus olhos te leram”)

Querido amor de uma vida, gostava de te dizer que não tenho saudades tuas, mas morro desde o segundo em que te virei as costas, e se fosse apenas uma vez, mas enfrento a dor de te virar um mundo tantas quantas as vezes que te vi pedir... mas eu não te sei ver ir embora! E não é nada que tu já não soubesses. Senti saudades tuas em cada segundo em que não pudeste estar ao meu lado, senti tristeza em cada até já que nos vimos obrigados a dizer, chorei em cada beijo de despedida, e correspondi cada sorriso teu, e nunca precisaste de me dizer mas, eu sei que tu também sofreste sempre que me levavas a casa. (vou agora contar-te um pequeno segredo, às vezes ainda te imagino a levares-me até ao comboio, e continuo a sorrir para trás, lembraste disso? Até quando me foste dizer adeus eu te sorri! E tu sabias que eu estava a chorar... diz-me, onde consegues tu encontrar alguém como eu?!).

Mas, quero dizer-te que a vida não espera por nós, quisemos um mundo para nós, com o nosso tempo, as nossas horas, as nossas palavras e de tudo o que construímos, sabes dizer-me o que é que ainda é nosso? As muralhas do reino não eram assim tão fortes, os soldados não souberam fazer guerras e o amor não soube trazer para casa a vitória, perdemos a batalha! Deixei de sentir os teus braços a proteger-me do frio, e a dizerem-me que não me vão deixar ir, deixei de te ouvir susurrar-me que eu era a tua vida, e diz-me tu como se aprende a viver sem isso? Deixei de sentir a tua mão entrelaçar a minha e a guiar-me o caminho e eu perdi-me de mim mesma. Queres saber uma coisa? Eu ainda hoje não sei porque te foste embora... E por isso não sei como te deixar ir, às vezes, aqui bem dentro ainda nos vejo a passear de mão dada, a rir das caras um do outro, ainda me oiço a dizer que te odeio e que és tudo para mim, ainda me vejo a fazer-te aquele olhar do “tem mesmo que ser?” e por vezes ainda me deixo falar “tens mesmo que ir embora?” mas eu não posso, não posso viver numa casa que já não está no mapa, um caminho que já ninguém conhece, quem somos nós? Agora, somos apenas tu e eu, e é como se não tivessemos tido passado, mas para mim temos, eu já te disse.

Diz-me, de manhã nunca acordaste a pensar que já adormeci ao teu lado? Embora nunca te tenha dito, eu acordo muitas vezes assim, mas olho para o lado e só estou lá eu, tu já te levantaste bem cedo e foste embora mas nem se quer me deixaste um bilhete a dizer para onde ias, ainda estou à tua espera em casa, vais demorar? Podes ligar-me a dizer que já não vens cá dormir, eu já estou à espera. Mas porque é que voltas às vezes, se tu sabes que não me queres dar aquilo que eu peço? Se só me vens visitar, abre a porta e vai-te embora, eu não quero memórias perdidas! Se só me vens mostrar que estás bem sem mim, segue em frente, não te quero apelidar de desilusão mais uma vez! Se só vens ver se eu ainda estou aqui pra ti, desaparece, eu não corro atrás de fantasmas! Se só vens para me sorrir, não venhas, as lágrimas já não gostam mais de ti...

Disse-te uma vez, não sei se te lembras que “Eu tenho um grande defeito, ou não. Raramente gosto, mas quando gosto é a sério...e eu gosto mesmo de ti”, o mais dificil não foi admitir que não vivia sem ti, foi aprender a viver contigo, como queres tu que aprenda a viver sem ti? Eu teria dado o mundo por ti, mas já não dou, nem te dou uma vida... muito menos a minha!
Agora, lembra-te que da ultima vez que estiveste comigo não me olhaste nos olhos, e eu conheço esse olhar melhor que ninguém, não me sorriste e eu sei que tu não sorris a quem nada te diz, nem me falaste, e eu percebi que não estava a fazer mais nada na tua vida. É suposto irmos embora quando percebemos que estamos a mais não é? Se um dia quiseres voltar, chama por mim, eu também só oiço aquilo que me interessa... Até já ou até nunca.

é de manhã, acordo e olho para o lado,
a minha mãe hoje escreveu que tu já não voltas.

1.4.09

Everything




- Vais continuar a amar-me quando eu estiver cheia de rugas?
- Vais continuar a amar-me quando eu tiver acne? quando tiver medo do que está debaixo das escadas?

(...)
- em que estás a pensar?
- estava a pensar que nada é eterno (...)
- Algumas coisas são...

- Boa noite Daisy
- Boa noite Benjamin!

E naquela altura e naquele lugar, ela percebeu que nenhum de nós é perfeito para sempre..

- Amar-te foi tudo para mim...

__

Pelo que vale, nunca é tarde demais, ou no meu caso, demasiado cedo, que sejas o que queres ser. Não há limite de tempo, podes começar quando quiseres. Podes mudar ou ficar na mesma. Não há regras para isso. Podes escolher o melhor ou o pior da vida. Espero que escolhas o melhor da vida. Espero que vejas coisas que te surpreendam. Espero que sintas coisas que nunca sentiste antes. Espero que conheças pessoas com diferentes pontos de vista. Espero que vivas uma vida de que te orgulhes. E se achas que não és capaz, espero que tenhas a força para começar de novo.

(...) quando te aproximas do fim, tens que aprender a perdoar.

In: The Curious Case of Benjamin Button.

Quero que saibas que nós também somos personagens de um mesmo livro. Caminhamos em direcções opostas, tu caminhas para o futuro, eu ainda me vejo a olhar-te do passado. E por isso, já nos encontrámos. Não importa agora o quanto tu caminhas para mais longe de mim, importa apenas que já nos cruzámos num outro dia. Percebo agora porque tivemos de esperar tanto tempo para nos encontrarmos na altura certa, eu estava demasiado no futuro, e tu tinhas acabado de sair do passado, já me passaste à frente.
Vais continuar a andar, e eu não quero que páres, um dia mais tarde talvez possamos dizer de novo um “Olá”, soltar um sorriso e sermos um outra vez. Até lá, não importa a quantas pessoas te dás, a quantas pessoas te sonhas, não importa quantos corpos mantens quentes e protegidos, quantos lábios aqueces, a quantos corações acendes a chama, a quantos sorrisos ofereces um dia melhor, a quantas noites tornas perfeitas com as tuas palavras, não me importa nada se não o momento em que foste meu. E eu acredito que só se ama uma vez na vida, e eu amei-te, todos os dias mais!
Eu vou seguir o meu caminho, vou trocar os olhares que tiver que trocar, vou beijar, ainda que sem amor e só com paixão, vou andar de mãos dadas, passear até por sitios onde já te levei, dormir nos mesmos lençois onde já nos deitamos, e sorrir da mesma maneira que te sorri, vou vivê-los sem amor... no final só fica quem realmente importou. Eu não gostei de ti, eu amei-te.


Se um dia um de nós voltar, estarei aqui para receber os dois.

30.3.09

não me pertences.

Não sou dona dos dias, dos meses, nem dos anos e também nunca o quis ser, nem quero. Não podia querer as horas, nem os minutos, nem os segundos, nem todo o tempo do mundo porque também não o tive e vivi bem sem ele.
Podem levar-me os passos que eu dei, as palavras que eu disse e que ninguém ouviu, os gritos que eu implorei, os sonhos, os pedidos, os olhares e as passagens, de mim nada levam, tudo fica. E o que ninguém me pode tirar são os momentos e os instantes passados ao sol, à chuva, a enfrentar tempestades ou sob um céu azul estrelado, e eu que nunca liguei às estrelas, sei que naquele compaço de tempo elas foram minhas, como a lua e o frio e o momento que eu vivi.
E eu nunca me perdi de amores por ti, nunca nos sonhei, nem inventei, nunca pensei que não podia estar sem ti e nunca morri de saudades tuas e no entanto já as senti. E eu não gostei de ti, ou ter-te-ia dito baixinho ao ouvido porque seria um segredo só nosso, mas eu não te amei, nem pensei e nem quis, e oportunidades não me faltaram, podia realmente tê-lo sentido, mas não agarrei o começo e não quis ser eu a começar. Não gostei de ti porque te tinha, porque te vivi. E eu nunca te tive mas não sei não te ter. Nunca te quis e no entando não sei não te querer. Habituei-me a acordar com o teu sorriso e nunca dormimos juntos, a adormecer com a tua voz e tu nunca me embalaste, a abraçar-te as palavras que na verdade não dissemos. Habituei-me ao que não quis, não tive, não sonhei e na verdade faz-me falta. Mas o mais importante: eu não gostei de ti, só gostei da tua maneira de ser, do teu sorriso, das nossas gargalhadas, do teu olhar, das horas passadas ao teu lado, dos dias e das noites, do teu toque, da tua voz, das tuas palavras, do teu cheiro, das tuas caras, das tuas expressões, dos teus abraços, da forma como reagias e do quanto eu te conheci, mas não de ti, gostei de tudo o que é teu.

só se guarda aquilo que é nosso,
podes ir embora, não me pertences..
eu não fico com o que é dos outros, desculpa.