19.10.15

(3)

As pessoas mudam.
E eu sou a maior prova disso.

Com o tempo, há coisas que deixam de importar, e outras às quais se aprende a dar o devido valor. 

E é aqui que eu entro. 

Sempre fui de fazer planos, todos e mais alguns que fossem possíveis, não se desse o caso de por algum motivo, todos falharem menos um. Fui sempre o típico "estuda, tem boas notas, tira um curso com emprego, e muda a tua vida", até que o tempo passa, conhecem-se diferentes pessoas, com diferentes pontos de vista, e começas a pensar, que, um dia, quando relembrares a tua vida, as coisas mais importantes passam por tudo, menos pelos números da tua conta bancária.

É aqui que entram as pessoas da minha vida. 

Os anos passam, umas vão-se embora como sempre esperámos que aconteceria, e outras ficam, outras mostram-te que o lugar delas sempre foi ao teu lado, mesmo quando andaste demasiado ocupado para ver isso, começamos por perceber que aquilo que tanto achávamos ter de sobra, é na verdade, demasiado curto para acreditar. 

É aqui que entra o tempo. E é aqui que eu volto a entrar, com as pessoas que, felizmente, fazem parte da minha vida.

É o tempo que as pessoas estão dispostas a investir em mim que me faz feliz, porque no final do dia, é realmente aquilo que temos de maior valor, ele acaba, um dia, mais cedo ou mais tarde, ele acaba. Não gosto de desperdiçar tempo, não o tenho para o fazer e, é por isso que aprendi a não deixar as pessoas erradas permanecerem muito tempo no meu espaço. É por isso que aprendi a valorizar-me, a não me submeter a alguém que não está disposto a apostar tanto e acha tão pouco. 

É aí que eu saio por cima. Agarro-me às memórias que vou construindo dia após dia, na verdade, é por isso que eu sempre gostei tanto de fotografia, o que pode haver de melhor do que uma gargalhada intemporal?

A todas as pessoas que permanecem na minha vida, obrigado pelo vosso tempo, é, certamente, aquilo que de melhor sempre terão para me dar.

As pessoas mudam. Crescem. Fazem memórias, Riem perdidamente delas. Fazem-me feliz. Final da história.

18.10.15

(2)

Há tanta coisa sobre mim que tu não sabes. Que ninguém sabe. Que eu nunca disse. Sabes, parece que se nunca falarmos sobre isso, nunca se torna real. E eu ainda sou mestre em ignorar o que vem de frente. No fundo, tu destruíste-me. Por muitas noites que eu tenha passado em claro com o peso na consciência de que te magoei, a verdade é que eu também perdi. A ideia foi que, finalmente, tinha sido eu a ficar por cima e, achei tantas vezes que tinha sido eu a tirar-te o mundo, mas toda a minha capacidade de me apaixonar, toda essa vontade de dar o mundo a alguém, morreu connosco. Consegues perceber o quanto isso é injusto, certo? Eu quero sabes, queria tanto voltar a ser quem era, saber o que é dar o mundo a alguém e ser feliz com isso. Mas dou por mim a fugir de quem me quer dar tudo, dou por mim a virar costas a quem tenta, a quem quer tanto conhecer-me. É incrível, ainda há pessoas que baixam todas as suas barreiras a alguém. Sabes, é que já me quiseram fazer feliz. E essa é a parte mais triste, eu fui embora.