Quando chegaste, o meu coração era muito pequenino, e mesmo assim, estava partido em mil pedaços e era uma grande confusão. Foste entrando e eu nem dei por ti, arrumaste o teu cantinho, o espacinho que conseguiste no meio de tanta,
desculpa a linguagem, merda. Foste arrumando a tua parte, arrancaste umas coisas desnecessárias ali, colaste uns bocadinhos aqui, e tudo à tua volta foi ficando limpo. Um dia, arrumaste as tuas coisas, e colocaste-as num cantinho maior, arranjaste tudo à tua volta e quando desde por ti, já não tinhas como escolher mais uma parte, porque já era tudo teu. Enquanto te instalavas, eu queria muito mudar-te de lugar, sabes que eu sou muito maricas e o teu conforto assustava-me, não estava habituada a querer que alguém ficasse durante tanto tempo e por isso ia fugindo, agarravas-me pelos dedos, e eu, como areia, escorregava pelos espacinhos que me deixavas. Até que deixei de conseguir fugir, deixei de querer fugir, e tudo o que eu mais queria era arrumar o teu coração também. Nós só temos um coração, a nossa casa, e essa, ninguém nos tira, com as nossas histórias e as nossas recordações, as nossas fotografias e toda a nossa vida.
Trouxeste-me tudo aquilo que eu sempre tive medo, um abraço apertado numa noite fria, um beijinho ao pôr-do-sol e a certeza de que amanhã somos nós outra vez. Apagaste o meu medo, e colocaste em mim uma vontade de te ver dia após dia. Eu sei que deu trabalho, mas obrigado pela paciência que tiveste em arranjar tudo o que eu deixei estragar, tudo o que eu estraguei, e por teres aberto todas as portas que eu tranquei. Não temos segredos, pertence-mo-nos, pertencemos um ao outro. E eu não quero, nem consigo imaginar a minha vida sem ti. Não consigo ver um dia sem luta, um dia sem a certeza de que amanhã estás lá, não quero ter um dia sem um abraço, sem o teu riso, sem a tua voz que me faz querer ouvir-te durante todas as horas do mundo. Porque quando te tenho, é como ter o mundo nas minhas mãos, não há nada para lá de ti, antes de ti, depois de ti, somos só os dois, somos só um.
Por isso, arruma o meu coração todos os dias, aquece-o quando tem frio e cuida dele quando se aleija, fica todos os dias ao meu lado. Eu quero um beijo depois de um abraço, um sorriso depois de umas quantas lágrimas a escorrer-me pelo rosto, quero um sonho depois da realidade, quero uma brincadeira depois de uma discussão, quero correr para ti depois de gritares comigo, e quero dormir nos teus braços. Quero deitar-me no teu peito enquanto dormes e ouvir o bater do teu coração, quero ver-te chateado e a refilar comigo para depois te agarrares a mim. Quero um pedido de desculpa e perceber que erramos sempre os dois. Quero um suspiro quando te chateio ou quando tenho razão e quero ouvir-te falar muito baixinho ao meu ouvido, porque é assim que falamos quando gostamos muito de alguém, e eu sei que tu gostas muito de mim.
Quero ter-te em palavras, em sorrisos, em gestos e em tudo o que eu sou, porque somos. E quero-te, é só isso que eu sei, é só isso que eu preciso e quero-te muito.
o meu pequeno coração, já não está partido,
já não está confuso, já não tem medo,
e és tu.